Palmas-TO, 22 de maio de 2024

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Idosos do povo Xerente se formam na primeira turma indígena da UMA

Atualizado em: 22/12/2023 15h29

Em solenidade cheia de emoção, 28 anciãos da etnia Xerente se formaram pela Universidade Federal do Tocantins, por meio do projeto Universidade da Maturidade (UMA) que tem a parceria da Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins (Fapto). A formatura aconteceu na noite de quinta-feira (21), no Centro de Ensino Médio Indígena Xerente (Cemix) em Tocantínia. Toda a cerimônia foi celebrada em português e akwê, idioma comum da etnia.

As aulas começaram no segundo semestre de 2021. Agora, os idosos indígenas, 20 mulheres e 8 homens, conquistaram o título de educadores políticos sociais do envelhecimento humano. Os alunos fazem parte de seis aldeias: Funil, Rio Verde, Salto, Saltinho, Porteira e Recanto Krite. No decorrer do curso, a turma perdeu dois colegas e na formatura, eles foram carinhosamente homenageados.

O secretário municipal de Educação de Tocantínia, André Gouveia, destacou a parceria com o projeto pioneiro no Brasil que ofertou educação universitária para os idosos das aldeias da região. "Sabíamos que era um projeto diferente, mas não imaginávamos a dimensão que era a Universidade da Maturidade. Mais do que um curso de extensão, é uma promoção de vida, um reconhecimento do valor da vida", disse em seu discurso, afirmando que o trabalho foi feito por 'muitas mãos', agradecendo aos envolvidos.

O secretário foi escolhido como paraninfo da turma. Já a coordenadora da UMA, Neila Barbosa Osório, foi homenageada ao ter o nome escolhido para a primeira turma de indígenas idosos formandos no Brasil.

 Para o coodenador da UMA em Tocantínia, professor Leonardo Sampaio, os alunos tiveram grande evolução pessoal no decorrer do curso. "Poder ver o sorriso, a felicidade deles motiva qualquer um, todos nós professores, e ver a evolução deles. Eles não estavam acostumados a ser ouvidos porque a juventude hoje quase não quer mais ouvir nossos anciãos. Ter aquele espaço de abertura aonde eles são protagonistas do próprio conhecimento foi fundamental. Dentro da UMA percebemos que somos todos diferentes e é isso que faz o Brasil ser diferente. Temos que garantir que a educação chegue para todas a idades", destacou o professor, afirmando ainda que quando a comunidade vê um ancião vestido de beca, encoraja eles a serem capazes de alcançar os objetivos de vida.

Leonardo explicou também que a segunda turma de indígenas idosos do Brasil deve se formar no próximo ano.