Palmas-TO, 13 de dezembro de 2017

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Universidades paulistas discutem como melhorar a gestão da pesquisa

Atualizado em: 01/08/2017 09h52

A Universidade de São Paulo (USP) pretende aprimorar sua gestão de projetos de pesquisa para que seus pesquisadores possam se dedicar mais a sua atividade-fim e menos a tarefas burocráticas, como a de prestação de contas.

Com um orçamento de R$ 1 bilhão por ano para a pesquisa – do qual cerca de 50% é aportado pela FAPESP –, a instituição tem estudado um modelo para melhor auxiliar seus pesquisadores na administração de seus projetos de pesquisa.

“Para ajudar nossos 6 mil pesquisadores na gestão de seus projetos de pesquisa não pode ser com uma estrutura que é criada em um departamento ou em uma unidade da universidade, por exemplo”, disse José Eduardo Krieger, pró-reitor de pesquisa em um evento sobre gestão de projetos de pesquisa realizado na última quarta-feira (26/07) pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.

“É preciso nos aproximar cada vez mais do que vemos lá fora, como nas universidades dos Estados Unidos: em vez de vários escritórios de apoio à pesquisa há apenas um, onde são tratadas questões como prospecção de oportunidades de financiamento de projetos”, avaliou.

De acordo com Krieger, ainda não há uma receita de como será o modelo de gestão de projetos a ser adotado e se a universidade terá um escritório de apoio ao pesquisador, por exemplo. “Isso ainda está aberto à discussão”, afirmou.

A única certeza, contudo, é que não faltam pessoas hoje na universidade com conhecimento e experiência para auxiliar os pesquisadores na administração de seus projetos de pesquisa.

“Essas pessoas estão pulverizadas em diferentes locais da universidade e com níveis variados de demanda de trabalho. Talvez elas pudessem ser remanejadas”, indicou.

Já a Universidade Estadual Paulista (Unesp) pretende criar três centros – sendo um nas áreas de Engenharias, Ciências Exatas e Tecnologias, outro em Ciências da Vida e um terceiro em Ciências Humanas – para auxiliar seus 33 escritórios de apoio, espalhados pelos 24 municípios onde a universidade está presente, a prospectar fontes de financiamento à pesquisa.

“A ideia de criar esses três centros de apoio é auxiliar nossos pesquisadores a buscar fontes alternativas de financiamento. É preciso que eles abram os olhos para a oportunidade de obter financiamento para seus projetos de pesquisa tanto de agências nacionais e internacionais de fomento à pesquisa como de empresas”, disse Carlos Graeff, pró-reitor de pesquisa da universidade paulista.

Programa de treinamento

As iniciativas das duas universidades para melhorar seus sistemas de gestão da pesquisa se alinham à direção que a FAPESP ambicionava quando implantou há sete anos um programa de treinamento para estimular a criação de Escritórios de Apoio Institucional ao Pesquisador (EAIP), avaliou Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação.

“A gente vê que não só na USP, mas em todo o Estado, há uma boa resposta para essa iniciativa que nos parece essencial para o melhoramento da qualidade da pesquisa no Estado de São Paulo”, afirmou.

Uma das motivações da criação do programa de treinamento foi a mudança no tamanho e nos orçamentos dos projetos realizados nas universidades e instituições de pesquisa com apoio da FAPESP que cresceram e passaram a exigir melhor gestão.

Além disso, as instituições responsáveis por fiscalizar o cumprimento da legislação nos gastos públicos avançaram no cumprimento desse papel, e as consequências da má prestação de contas tornaram-se mais rigorosas.

“Em razão desses fatos, nós percebemos há alguns anos na FAPESP que era preciso incentivar as organizações de pesquisa no Estado de São Paulo a apoiarem seus pesquisadores na gestão de seus projetos”, disse Brito Cruz.

“Se quisermos que a ciência feita no Estado de São Paulo seja competitiva no mundo é absolutamente essencial proteger o tempo do pesquisador contra tarefas que não são relacionadas à ciência, como a administração e a gestão de projetos”, avaliou.

Por vedação legal, a FAPESP não pode exercer atividades administrativas indiretas, no lugar das universidades e instituições de pesquisa, ressaltou Fernando Dias Menezes de Almeida, diretor administrativo da Fundação.

Por isso, a Fundação enxerga que é fundamental o papel das universidades e instituições em estruturar o apoio à gestão dos projetos de pesquisa de modo que seus pesquisadores gastem seus esforços naquilo que é sua atividade-fim, que é fazer pesquisa, e menos esforço em fazer a gestão administrativa e financeira dos projetos, avaliou Almeida.

“Para tanto, há pessoal de excelente qualidade e com muito conhecimento nessa área nas universidades e instituições de pesquisa em São Paulo”, afirmou.

Falta de articulação

Na avaliação de Munir Skaf, pró-reitor de pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), algumas das ações fundamentais para profissionalizar a gestão de projetos de pesquisa são prospectar financiamento nos editais nacionais e internacionais, auxiliar na elaboração das propostas, no desenvolvimento e prestação de contas do projeto e o resguardo da propriedade intelectual resultante.

As universidades paulistas possuem experiência em cada um desses temas. O que falta, contudo, é uma articulação entre esses eixos, avaliou.

“É preciso ter coordenação entre essas funções e as pró-reitorias de pesquisa das universidades têm um papel fundamental em estimular a cooperação entre essas áreas. Além disso, elas podem aprender juntas e trocar experiências entre si”, afirmou.

Fonte: Agência FAPESP